sexta-feira, 9 de março de 2012

Justiça Cega

Bem, como eu prometi, eis mais um conto. Espero que gostem!





Justiça Cega


Catarina era a delegada da delegacia de homicídios do 20º distrito de São Paulo. Ela era uma delegada muito competente, mas estava enfrentando um dos piores casos de sua vida. Esse caso era uma série de assassinatos de crianças. A talentosa e destemida delegada estava atrás de um Serial Killer. E era nele e em seus crimes que ela estava pensando quando foi interrompida pela detetive Anna, que entrou afoita em sua sala:

-Delegada, ele matou de novo!

-Quê? De quem você está falando?

-De quem mais seria? Do assassino do cinto! - respondeu a detetive, impaciente.

-Tem certeza que é ele? - perguntou a delegada, muito preocupada.

-Claro que tenho! Mesmo MO*: Ele encontrou a criança em um parque, a atraiu para dentro de um furgão usando um cachorrinho, a estrangulou amarrando um cinto em seu pescoço e a desovou em uma lata de lixo. E a idade também confere, 5 anos.

-Mas, como você sabe que ele a achou em um parque e a atraiu com um cachorrinho?

-Uma testemunha viu os dois no Ibirapuera entrando em um carro de mãos dadas. A criança segurava um cachorrinho. Ela não fez nada porque achou que ele fosse o pai.

-Qual o sexo dessa vez? - perguntou uma arrasada delegada.

-Menina. Era uma linda garotinha loira e de olhos azuis.

-DESGRAÇADO! - berrou a delegada ao mesmo tempo em que esmurrava sua mesa com as duas mãos - Não sei mais o que fazer, Anna, nós fizemos tudo o que estava em nosso alcance!

-Calma, delegada, nós vamos pegá-lo! Custe o que custar!

-Bom, eu vou dar uma olhada na cena do crime.

-Não precisa, eu fui.

-Preciso sim. Pelas crianças!

Catarina pegou seu carro e foi até a cena do crime. O corpo da menininha não estava mais lá, mas ainda dava pra sentir seu cheiro no local e o lixo dentro do balde ainda tinha o formato do seu pequeno corpo. Ela deu uma olhada no local, conversou com alguns peritos que estavam e foi até o necrotério ver a menina. Chegando encontrou a legista, Alex. Ela mostrou o corpo e falava enquanto a delegada olhava para a garotinha:

-Bem, delegada, está tudo exatamente igual aos outros casos. Ela foi estrangulada com um cinto que foi colocado em seu pescoço, tem equimoses post-mortem na coxa esquerda, o que mostra que o assassino se apoiou na coxa esquerda dela para estrangulá-la. Infelizmente não tem nada que possa ajudá-la a pegá-lo. Não foi dessa vez que ele vacilou.

-E quando será? - respondeu a delegada enquanto olhava para a menina e chorava.

-Também me sinto assim. - falou a legista tentando confortar Catarina.

-Ela era uma garotinha! Como ele pôde?

-Se tem uma coisa que eu aprendi nessa profissão é que as pessoas são capazes de tudo - respondeu Alex.

-Eu também. Eu vou embora, Alex. Não posso mais ficar olhando para essa menininha!

Catarina saiu do IML chorando e entrou em seu carro. Ficou parada por alguns minutos até se acalmar e após enxugar suas lágrimas ligou seu Palio Weekend e foi para a casa dos pais da menininha. Ao chegar foi recebida pelo pai da menina, Davi Baronesi:

-Bom dia, Sr. Baronesi. Meu nome é Catarina Silva e eu sou a delegada que está conduzindo a investigação do assassinato de sua filha. Eu poderia falar com o senhor e sua esposa?

-Pode sim, mas minha esposa está descansando. Está sendo muito difícil pra ela.

-Não, querido, eu estou aqui. - disse a senhora Baronesi, que havia acabado de chegar na sala.

-Você devia estar descansando, Dina! - falou o marido, preocupado.

-Não quero descansar! Eu quero é descobrir quem matou a minha menininha! - disse Dina aos prantos.

Davi abraçou a esposa, que chorou muito em seus braços. Alguns minutos depois ela se recompôs e a conversa começou:

-Quem estava com Bela no Ibirapuera? - perguntou a delegada.

-Eu - respondeu a mãe - resolvi levá-la para dar um passeio após a escola.

-A senhora viu quem a levou?

-Não. Eu a deixei sozinha por 2 minutos para comprar algodão-doce pra ela, porque ela queria muito esse doce! Eu nunca vou me perdoar! - respondeu Dina voltando a chorar.

-Não foi culpa sua! A culpa foi dele! Dele e de ninguém mais! - falou Davi enquanto abraçava a esposa.

-Eu juro que vou pegar esse psicopata, Sr. e Sra. Baronesi! Eu juro! - exclamou a delegada.

A conversa acabou e Catarina voltou para a delegacia. Dias depois ela estava chegando no local de trabalho quando foi abordada pela detetive Anna:

-Delegada! Um menino de 5 anos desapareceu no Parque Anhaguera! Testemunhas viram ele entrar em um furgão com um cachorrinho no colo acompanhando de um homem que usava um boné e tinha um bigode.

-Ele atacou de novo! Temos que encontrar esse menino antes que ele o jogue em outra lata de lixo!

Catarina e Anna procuraram o menino exaustivamente, mas não encontraram nem sinal dele. No outro lado da cidade, o garoto estava em um porão sujo e escuro. Ele estava assustado, chorava muito e estava sentando no chão e encolhido em um canto do porão. A porta do lugar se abriu e seu sequestrador apareceu usando o mesmo boné e com um cinto nas mãos. O medo do menino aumentou e ele implorou:

-Por favor, não me machuque! Me deixa ir para casa!

-Você não vai para casa! Nós vamos fazer uma brincadeira muito divertida com esse cinto depois eu vou te colocar no meu furgão e vou te deixar bem longe daqui! - respondeu o assassino do cinto.

-Eu não quero brincar! - exclamou o menino ainda assustado.

-Mas vai! que antes vamos nos apresentar! Qual o seu nome?

-João! - respondeu o menino apavorado.

E sorrindo maquiavelicamente e tirando o boné e o bigode, que era falso, o sequestrador respondeu:

-E o meu nome é Catarina!

FIM

*Modus Operandi: expressão em latim que significa "modo de operação". É alguém ou algo que usa o mesmo jeito e aplicação em todas as coisas que realiza, faz tudo do mesmo jeito de uma mesma forma, de maneira que se identifique por quem foi feito aquele determinado trabalho. No caso dos assassinos em série, o mesmo modo é usado para matar as vítimas: este modo o identifica como o mesmo autor de vários outros crimes.


Bem, espero que tenham gostado de mais esse conto! Não esqueçam de comentar! Os comentários de vocês são muito importantes para mim! Até a próxima sexta!

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